quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

A melhor ideia ruim que temos.

   
     Em 1997, o presidente norte-americano Bill Clinton tornou públicos os arquivos de uma ousada , e extremamente perigosa, operação de resgate realizada pela CIA no Irã em 1980.  Depois de ser deposto pelo regime xiita do aiatolá Khomeine, o Xá Reza Pahlevi obteve exílio em solo americano fato este que fomentou a ira dos revolucionários e culminou na invasão da embaixada americana em Teerã em 1979. Durante a invasão cinquenta e quatro funcionários foram feitos reféns entretanto seis conseguiram fugir e pedir abrigo na embaixada do Canadá. No intuito de salvaguardar seus cidadãos e evitar incluir o Canadá
em uma grave crise diplomática a CIA resolveu apostar na ideia ( que passados os anos é vista como brilhante, mas que na época parecia loucura) do agente Tony Mendez. 
     O que Mendez planejava era utilizar a produção de um filme falso como pretexto para fornecer disfarces aos compatriotas e assim retirá-los do Irã. Com base nos registros da missão e no livro escrito pelo próprio agente responsável pela missão (em conjunto com Matt Baglio) o ator, e agora  diretor, Ben Affleck concebeu o excelente filme Argo, que em breve estará disponível em DVD e Blu-Ray.
     Para dar credibilidade à sua farsa Mendez (Ben Affleck)  contou com a ajuda de dois especialistas da indústria cinematográfica hollywoodiana: o maquiador John Chambers ( John Goodman) e o produtor Lester Siegel (Alan Arkin). O primeiro passo foi montar um escritório de uma falsa produtora e logo após comprar um roteiro que justificasse filmagens em locais exóticos e o escolhido foi o script da ficção-científica Argo. Após a aquisição do roteiro era necessário uma massiva cobertura da imprensa especializada, o que culminou em uma leitura pública de texto feita por um elenco de profissionais, poster e fantasias dos personagens. 
     Com um roteiro inteligente e equilibrado, escrito por Chris Terrio e Joshuah Bearman, o filme utiliza metalinguagem para prestar um tributo ao cinema discorrendo sobre o poder da sétima arte (tendo na cena da exibição dos storyboards para a patrulha do aeroporto o melhor exemplo disso) além de proporcionar ao espectador momentos de extrema tensão sobretudo em todo o arco da execução do resgate. Outro mérito do texto consiste na explicação da formação do povo iraniano e dos eventos que movem a trama. Essa sequência logo no inicio do filme fornece ao público o estofo histórico para acompanhar toda a história e entender, mesmo que superficialmente, a origem do ódio que os iranianos nutrem pelos americanos.
     Foi uma surpresa para todos quando Ben Affleck, ator outrora criticado, se mostrou um bom diretor sendo inclusive cotado para dirigir o vindouro filme da Liga da Justiça. Argo chega ao Oscar desse ano como um dos favoritos ( sobretudo depois da premiação de melhor filme no Globo de Ouro)  e mostra o melhor momento da carreira de Affleck até aqui pois  como  ator ele entrega uma ótima e contida atuação exatamante da maneira que o discreto personagem exige. Como diretor ele demonstra um domínio notável dos elementos cinematográficos para compor um bom filme e se prova talentoso contando uma inusitada história que, por mais farsesca que pareça, cativa a todos por ser real.

Nenhum comentário:

Postar um comentário